quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

Em busca da Realidade


É simplesmente inacreditável tudo o que acontece Universo afora. É inconcebível à mente humana, sequer imaginar a infinitude deste Universo. Olhando essas fotografias do Telescópio espacial Hubble, só podemos nos quedar boquiabertos com tamanho absurdo!


Imagens fotografadas recentemente de um passado remoto. Zilhões de anos-luz fotografados ainda hoje. Explosões estelares, formações nebulosas, buracos negros, enquanto estamos aqui, preocupados com mesquinharias.

Fico imaginando qual será a experiência de Ser a Totalidade, tal como nos ensinam as escrituras védicas e seus mestres iluminados. Segundo eles, JÁ SOMOS essa Totalidade. Não temos a experiência consciênte de Ser Totalidade devido à identificação tão forte que temos com uma pessoa, um corpo-mente com uma história que se resume a um pelo perto da história que têm as estrelas, as galáxias, sabe-se lá quantas são! Perto dessas imagens, nossas crises ficam pequenas...

O Ser total está, a cada micro-segundo, criando e destruindo estrelas, planetas, assim como nosso micro-sistema físico, o corpo, está criando e destruindo células. Mas, se não conseguimos, sequer, ser conscientes da criação e destruição de nossas próprias células, como poderíamos estar conscientes da criação e destruição que ocorrem em nível astronômico, como mostram essas imagens? Graças à tecnologia, podemos ter consciência, mas não por nossa própria experiência direta.

E o que é ainda mais assustador, é que, paradoxalmente, essas imagens apenas parecem nos tornar mais ciêntes da realidade, quando, em verdade, nos obrigam a reconhecer que ainda continuamos não sabendo de nada.

Quantos universos ainda estão por ser descobertos? Até onde poderemos chegar?

E mais; já sabemos do vazio que constitui a matéria. Para quê precisamos descobrir ainda mais vazios? Já não é hora de retornarmos todas essas zilhões de milhas para dentro de nós mesmos e descobrir o que realmente possa nos interessar?
Ou será que o medo de descobrir em nós mesmos o mesmo negro vazio é o que nos impede de regressar? Fechar os olhos para dormir parece simples à todos. Mas fechar os olhos para olhar o negro que se forma diante da visão e permanecer plenamente consciente já é bem mais difícil. Daí a infinidade de pensamentos que surgem ao fazermos. Mecanicamente o nosso sistema nos protege de um suposto perigo. É hora de encará-lo e ver se ele tem alguma base real em si mesmo.

segunda-feira, 21 de janeiro de 2008

Conheça Paramahamsa NithyAnandaji! Uma Alma belíssima!


Conheci há alguns dias, por videos do Youtube, esse tão jovem e já renomado Mestre Iluminado que, embora não se identifique com nenhum nome e nenhum formato, como de costume a todo jñani ou mukta (homem conhecedor do Si mesmo, realizado, liberado), atende pelo nome de Paramahamsa NithyAnanda. Sua história é bastante inspiradora. O vídeo em que faz um discurso sobre o 17º Aniversário de sua primeira experiência de SamAdhi (iluminação) está abaixo, no final desta página. Assisti a seu video e logo vi que de sua presença emana uma luz intensa e encantadora. Uma sinceridade e uma felicidade de criança! Sinto tranquilidade em confiar em suas palavras. Simples assim...
Ao nascer, no dia 1 de janeiro de 1978, em Tiruvannamalai, Tamil Nadu (Sul da Índia), cidade onde se localiza um grande centro espiritual geográfico, muito famoso, chamado "Arunachala Hill", previu-se, pelos conhecimentos astrológicos, que ele se tornaria um ser iluminado. Recebeu de seus pais o nome de Rajashekaran.
Foi treinado desde os 3 anos de idade em todas as técnicas de yoga, desde posturas, respiração, purificação, até de concentração e meditação, por um mestre yogue muito sério e austero, chamado Yogiraj MahArshi Raghupati Yogi, o que lhe conferiu até mesmo o poder de suportar, posteriormente, fisica e mentalmente, situações extremas de sede e fome.
NithyAnandaji conta que, por volta dos dez anos de idade ele costumava ir ao Templo da montanha Arunachala, local onde há também o Ashram onde viveu o grande Srí Bhagawan Ramana MahArshi, para estar próximo e receber ensinamentos de um Mestre iluminado, chamado Annamalai Swamigal, que havia sido discípulo muito próximo do grande Ramana. Tão próximo que uma de suas funções era ajudar a dar banho ao Mestre. Annamalai contara a NithyAnanda, em um desses encontros, que tocava o corpo de SrI Ramana para dar-lhe banho, e achava muito estranho o fato de todas as pessoas o chamarem "Bhagawan" (Deus) e ele, quando o tocava, sentia apenas estar tocando em um corpo simples, normal. Não havia nada de excepcional no corpo do MahArshi, e as pessoas o chamavam de Deus. Até que, num dado momento, contou que, num banho em que ajudava a dar em Bhagavan, o Grande Guru o tocou e, simplesmente ele entrou em SamAdhi. Entrou num estado de iluminação e nunca mais saiu desse estado. A partir daí, deixou todas as funções de discípulo próximo do Mestre e foi viver numa área próxima ao Ashram, em meditação, em plenitude com o Ser.
Assim, NithyAnanda ia sempre aos dez anos, ver este tão bem-aventurado discípulo do grande Ramana MahArshi, que se tornou mestre pelo simples toque da Graça Divina de Bhagawan.
Ele conta que, num desses encontros o guru Annamalai falava a seus discípulos a respeito do Ser (ATMA), que é livre de prazeres e dores, livre de tristezas, que não pode ser queimado pelo fogo, nem molhado pela água, que é indescritível, para além das palavras, etc, assim como é ensinado no Bhagavad GItA, por Krishna a Arjuna. Porém o guerreiro Arjuna utilizou esses conhecimentos para matar os malfeitores que subjugavam o país à seu bel-prazer em função de riqueza e poder, ao passo que NithyAnanda, ainda com 10 anos de idade, apenas(!), resolveu testar a filosofia ensinada em si mesmo. Foi para casa e, prá ver se realmente estava livre de sentir dor, pegou uma faca e cortou sua perna. Obviamente que sentiu dor, precisou ser levado para o hospital e receber 13 pontos pelo estrago que cometeu. Depois de alguns dias, voltou ao guru reclamando: "-Olha só isso, o senhor me disse que somos livres da dor e do sofrimento, e agora estou sentindo dor!" - ao que o mestre lhe respondeu com uma sugestão de prática meditativa: "-Tente encontrar a fonte de onde você está sentindo a dor. Faça essa meditação". Não satisfeito, o menino retrucou: "- Agradeço muito pela sua bênção e pela iniciação que está me dando, mas o senhor podia ter me ensinado essa técnica antes de eu me cortar, não é mesmo!?". O mestre, então, lhe devolveu uma mesagem de esperança e muito inspiradora: "Não se incomode com essa dor, meu filho, a sua coragem por experimentar a verdade o libertará. Confie e deixe nas mãos de Bhagavan (Deus). Apenas medite como te expliquei".
Assim, casualmente, o menino passou a praticar a técnica que o mestre lhe ensinara. Sempre tentando encontrar a fonte da sensação, a fonte do "eu". Um dia, meditando sobre uma rocha, na montanha de Arunachala, num dia de celebrações religiosas, num final de tarde, período do dia este, chamado de "sandhya". 'Sandhya' é o período mais ou menos compreendido entre 16h30min. a 18h30min., ou seja, a passagem do dia para a noite - estava ele, neste momento, meditando, tentando encontrar a fonte dos pensamentos, e do 'pensamento-eu', assim como prescrevia também o grande SrI Ramana MahArshi, até que, de repente, aconteceu-lhe um intenso evento interior. Sentiu ser puxado para dentro de si mesmo numa imensa abertura de um espaço interior e, de repente, de olhos fechados, podia enxergar, toda a área em que se encontrava, em 360 graus! Lados, frente, atrás, acima, abaixo. Podia ver todas as pedras, rochas, árvores, insetos, tudo! E tudo com uma intensidade absurdamente grande. É uma experiência que, para nós, é algo inimaginável, inacreditável! Permanecia completamente consciente. Sentia-se não só completamente vivo por debaixo de sua própria pele, mas também, vivo em todas as coisas que podia enxergar, em tudo à sua volta! Uma experiência de extrema solidez e intensidade, conta ele. Depois de horas nesse estado, quando, em algum momento sentiu que podia movimentar um pouco o corpo, foi descendo da rocha em que se sentava. E à medida que ia voltando um pouco mais à "normalidade" de antes, começou a ficar apavorado por achar que talvez tivesse sido possuído por algum fantasma. Correu para casa e contou sua história à sua mãe que o ouviu atentamente e respondeu: "-Fique tranquilo, você não está possuído por nenhum fantasma, você está possuído por Deus!". Assim, sentiu-se mais tranquilo e encorajado. Por três dias, não conseguia comer absolutamente nada, pois continuava a sentir-se vivo em todas as coisas! Como podia engolir algo que era sua própria vida?? O corpo não aceitava nada que lhe dessem. Era como se tentasse enfiar seu próprio dedo guela a baixo e tentasse engolí-lo, conta NithyAnanda sempre muito bem humorado.
Bom, para tentar resumir, essa experiência o inspirou a deixar tudo para trás, já com a idade de 17 anos. Assim, comunicou à sua mãe a decisão de deixar sua família, a escola, etc, para viver, durante nove anos, como renunciante, levando consigo apenas a roupa do corpo e uma vasilha para comida, em busca de estar perto de grandes mestres e aprender mais e mais com eles, estudar as escrituras védicas e praticar cada vez mais meditação. Andou por toda a Índia caminhando, literalmente, do sul ao norte e de leste a oeste, esteve nos Himalayas, no Nepal e no Tibet, inclusive na Caxemira, estudou Tantra, Shaivismo da Caxemira, Vedanta, etc, etc. Até que, atingiu, no dia 1 de janeiro de 2000, aos 22 anos, o estágio último da iluminação plena e recebeu o título de "Paramahamsa" (título concedido a todo homem completamente realizado) "NithyAnanda" (Nithya = Eterno; Ananda=Plenitude, Bem-Aventurança).
Fundou uma organização chamada "Life Bliss" através da qual tem concedido a todos que desejam a iluminação, suas bênçãos, ensinamentos sobre as escrituras e técnicas de meditação. Hoje, essa organização, com o trabalho e o suporte financeiro de muitos discípulos, possui muitos ashrams por todo o mundo e tem ajudado a diversas pessoas a encontrarem seus caminhos, rumo à Grande Bem-Aventurança. No dia 1 de janeiro deste ano, completou 30 anos de idade! Com uma vida assim, tão meteoricamente conquistada, que não nos deixe tão cedo! Possa Swamiji permanecer entre nós durante muitos e muitos anos! OM NithyAnandaji kI JAY!!!!!
Para saber mais sobre seu trabalho, entre em http://www.lifebliss.org/ !! Vejam seus videos no Youtube! Basta digitar seu nome "NithyAnanda" e uma infinidade de videos muito bons surgirão! Aproveite e treine também seu inglês à moda indiana!! ;)
OM PAZ!

Reportagem interessante sobre Meditação Vipássana

Aí está uma reportagem da Revista Época sobre o retiro de dez dias de meditação VIPÁSSANA que se realiza diversas vezes por ano em Miguél Pereira/RJ. Uma reportagem bastante honesta e sincera sobre a experiência que a repórter da revista se propôs a viver. O Título é "O Inimigo Sou Eu". Devo dizer que a coletei de um blog cuja dona, chamada Francine, que não conheço ainda, mas espero que ela apareça por aqui para conhecer o meu blog também! ;)
Bom, requer um pouco de paciência e nenhuma preguiça porque a reportagem tem 3 páginas um pouco longas. Mas vale a pena lê-la e ter, ao menos, uma pequena idéia do que seja uma aventura realmente radical!

Aí está o link:

domingo, 20 de janeiro de 2008

Ser = Observador

Há que sair da mente. Na mente não há paz. O constante fluxo de pensamentos não permite permanecermos em plena Consciência. Não é possível. Mas como sair da mente? Como sair desse campo de idéias, de pensamentos que geram emoções, sensações, agradáveis e desagradáveis? O tempo todo somos impelidos a buscar o prazer e fugir da dor. Há uma maneira de cessar isso?
Os homens que atingiram a iluminação nos dão uma seta rumo à libertação disso tudo. Seja aquele que vê! Seja aquele que observa. Quando o pensamento vem, observe. Sem julgamento. Julgamento é mente. Saia do julgamento. Saia do campo da interpretação. Apenas atente-se para o que vem. Observe o pensamento. Se vem uma sensação, Observe-a. É garantido: Ao observar aquilo que acontece "neste momento", simplesmente, o objeto da observação desaparece. O pensamento some. Mas essa não é, ainda, a realização da nossa verdadeira natureza, é apenas o caminho. Para citar mais uma vez Srí Ramana MahArshi, pergunte-se: De onde vem o pensamento? Para Quem ele surge? Apenas leve a mente para onde pode ser a fonte. Não tente encontrar respostas para a pergunta. E nem fique esperando uma resposta. Simplesmente a mente se absorverá na fonte. Quando há uma pausa de pensamentos, pergunte-se "Quem Sou Eu?" E, de novo, não responda, não procure e nem espere respostas da mente. Apenas traga a sua mente para o centro, onde se encontra o coração. Não se trata do órgão físico, mas do "centro" do coração espiritual. Segundo Ramana, este local encontra-se, no peito, um pouquinho à direita do osso externo. Deixe apenas a mente se focar aí após perguntar-se. Não estimule respostas. Apenas atente-se e ponto. É possível atingir um grau de paz e tranquilidade com a prática dessa meditação. Ramana MahArshi diz que nada além dessa prática meditativa é necessário para se atingir a auto-realização. A Consciência e a vivência plena de Si mesmo. Presença. A natureza do Ser (verbo gerúndio - Sendo) é Testemunha. Seja a testemunha última de tudo o que se passa no corpo, na mente e os benefícios serão percebidos!
Tenho realizado muito essa prática e, de fato, quando me coloco como aquele que vê, a paz se instala. Muito já parei para observar alguma sensação de ansiedade, sem tentar expulsá-la, nem julgá-la, mas simplesmente, parei, senti, respirei a sensação, conscientemente e, realmente, não dá 5 minutos e a sensação desaparece. Enquanto tentarmos interpretar e buscar na mente os por quês das sensações, mais as alimentaremos. Quanto mais tentarmos expulsá-las, evitá-las, ficaremos mais e mais presos a elas. Experiência própria! ;)
ॐ शांन्ति!

terça-feira, 15 de janeiro de 2008

Todo esforço será recompensado!

Se você sabe, ou ao menos, imagina os benefícios que poderia obter com a prática da meditação, deseja praticar, mas ainda sente uma grande dificuldade, uma certa preguiça de começar, um certo torpor que impede...

Digo-lhe: Deseje ardentemente! Com todo seu coração. Alimente este desejo ardente! Isto vai gerar uma grande força interna! Mas um esforço, no início é necessário... Todo esforço será recompensado. Mesmo que seja mínimo, alguma recompensa obterá.
Cada prática meditativa tem sido para mim uma bênção! Diferentes experiências, cada vez mais agradáveis!
Possa eu continuar neste caminho até a iluminação! Possa você encontrar o seu!
ॐ नमः शिवाय !!!

quinta-feira, 10 de janeiro de 2008

Fiquemos à sombra!

'Estar no Ser' é como estar debaixo de uma árvore, desfrutando de sua sombra. Mais ou menos assim, Sri Ramana MahArshi faz a comparação.

O sábio é aquele que nunca sai debaixo da árvore, onde há o real conforto, a sombra que impede o sol e seu calor de esquentá-lo.

O calor e o sol escaldante é como a ignorância do Si mesmo. É a zona para a qual o ignorante vive constantemente se projetando. A mente, o ego.

O homem ignorante, algumas vezes desfruta da paz do Ser, mas na maior parte do tempo vive saindo para fora dessa sombra indo para essa zona de grande calor, que é a profusão de pensamentos, a mente. E dá demasiada importância a eles.

ShrI Ramana MahArshi diz que não há mente apartada do pensamento. E isso, podemos todos perceber por nossa própria experiência. Quando não há pensamentos, não há mente. Um exemplo é um dos muitos dados pelos Upanishads (escrituras vedânticas): Durante o sono profundo, não há pensamentos. Portanto, não há mente. Não há manifestação deste mundo tal qual cremos ser real. Quando entramos em sonho ou acordamos para o estado de vigília, surge a mente com o primeiro pensamento possível: o pensamento-eu. A partir deste, todos os outros pensamentos podem surgir. Quando existe mente, existe pensamento e existe o mundo manifesto, tal qual acreditamos ser real por si mesmo. Mas quando não há mente, no sono profundo, não há manifestação do corpo físico, nem de pensamentos e nem deste mundo. O que nos faz observar que este mundo não tem realidade independente de Nós (o SER). Mas quando não há mente, nós continuamos a existir, como o próprio Ser. Daí a importância do estado meditativo (no qual se está completamente presente no Si-mesmo, e não na mente), pois nesse estado a mente se aquieta e tudo aquilo que existe a partir da existência da mente (o mundo) desaparece junto com ela nesse estado de Ser. Tudo o que surge na mente não é real em Si mesmo. O Ser é o único real em Si.

OM PAZ!